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Mensagens

Ce Soir | Parte I

Era para ser um dia normal, como todos os outros (pelo menos nos últimos dias), em que eu saía do trabalho com as minhas frustrações profissionais e pessoais, levava meu corpo até ao Backroom para encher a cara, voltar para casa embriagada e simplesmente “falecer” na cama de algum estranho. Era para ser… mas hoje dei por mim sentada no bar, a acariciar um copo de cerveja que já não sabia a nada, há quase uma hora. Perdi a conta de quantos homens sentaram ao meu lado, sedentos por um dedo de conversa ou a oferecer sua miserável companhia e mais um copo de cerveja. Outros eram estranhamente atrevidos e de certeza cheios de dinheiro para gastar com a minha notável falta de interesse – sem gozo, havia cinco coquetéis diferentes na minha cara, três shots de Tequila e honestamente, nada daquilo me interessava… eu só queria um pouco de paz naquela turbulência, afinal de contas é quinta-feira e isto está lotado, é completamente estranho desejar sossego com esta aparência de carência. ...

Cais 27

Sobre a vida … o que há para dizer? As vezes pode parecer um mar de ilusões, onde só enxergamos o que nos convém e entre um e outro aeroporto, muitos vem, poucos voltam e quase ninguém permanece. Mas por outro lado, pode ser um espetáculo alegórico, repleto de momentos de fantasia que nos dão a sensação de felicidade plena, onde nos sentimos super-heróis, donos do mundo. Mas, aprendi que é curta, há coisas que vão e não voltam; aprendi sobre a importância dessas coisas e que de nada vale esperar pelo fim para poder dar o devido valor. A vida não complementa o tempo, o tempo não espera e segunda chance é uma mentira – são laços rompidos, que quando remendados, não tem a mesma beleza. Sobre família … o que há para dizer? Não se escolhe, não é como nas novelas, não é romântico, mas é tudo que precisamos na vida. Não são mil, não são todos eles, são aqueles que realmente cuidam, são aqueles que não nos esquecem, são aqueles que morreriam por nós... literalmente. São parte de nós, nos...

EN4

Tinha 10 anos quando pela primeira vez sentei no colo do meu pai e tomei conta do volante, mas mesmo ainda que quisesse comandar o carro por completo, era muito baixinha para alcançar os pedais. Nessa altura já conhecia o código de estrada tal como um crente fanático conhece a Bíblia, enfim. Eu era muito esperta, tão esperta que os meus amigos diziam: "Se a vida fosse uma novela, o teu nome seria Soninha 38". Anos se passaram e claro, fiquei craque – meu pai era amante de drifts , um preto com sangue de mulato, não tinha como não amar adrenalina. E, não tinha como ele não amar me ensinar tudo que ele sabia - de 5 meninas, fui a única que toda vida se interessou por motores. Para ele eu era o filho homem que nunca teve, por isso a minha mãe o culpava todos os dias (literalmente), por eu ser lésbica, mas isso é outra história. Mexer em motores e trocar as mudanças do carro sem que o mesmo soluçasse era como trocar de sapatilhas, eu simplesmente amava aquilo. Aos 18 ...

III | Te Espero no Elevador

O círculo dourado para sempre será um impedimento, ainda que o deseje ferozmente. Meu coração não tem dono, o dele também não, mas há quem ache que o tem e parte de mim quer respeitar isso, mas a outra está indiferente. Quero sentir pena, quero sentir a consciência pesada, mas tudo que consigo é sentir saudades do que não vivemos e uma vontade incontrolável de ter mais alguns minutos a sós em algum elevador dessa vida. Faz uma semana que não o vejo, quero ligar e dizer que o quero sem reservas, quero tanto que a pulsação do meu membro vulcânico me faz um ser irracional - quero agarrá-lo com força, enfiar a minha mão naquele emaranhado de cachos negros, puxá-lo para perto de mim e permitir que me beije novamente sem pudor; por outro lado, quero que este sentimento desapareça e vire indiferença, mas e se o segredo daquelas quatro paredes for intenso, um autêntico caminho sem volta, o que faria eu com esta inocência já desflorada?  Enfim, desejos vem, desejos vão, mas cas...

II | Livres no Elevador

É suposto coisas maravilhosas acontecerem comigo, é assim que deve ser, é nisso que procuro acreditar todas as manhãs. Hoje finalmente recebi a chamada do Roberto, só não percebo por que motivo teve de esperar três dias para o fazer. Enfim, fiquei eufórica quando escutei sua voz, era como se de um velho amor se tratasse e percebi que tinha um sorriso ridículo no rosto. É isso que paixões fulminantes fazem quando existe vulnerabilidade? “Vim dar-te um abraço, podes descer?” – Não pensei duas vezes, desliguei a chamada e meti-me no elevador que me dava mais segurança. Quando as portas se abriram, lá estava ele, minha pele clara de caracóis negros. Seu olhar continuava intenso e eu sentia que já o conhecia, tem como eu me apaixonar menos? Porquê meu coração vagabundo não se limitou ao sossego? – “Tens uma tatuagem no pé. Eu fiz uma ontem, queres ver?” – Como era possível que ele ficasse tão à vontade comigo? Falamos por alguns minutos, coisas banais e pareceu uma eternidade...

I | Presos no Elevador

O acaso é inesperado. O acaso as vezes é maravilhoso e um tanto intrigante. Enfim, não gosto de elevadores, mas o acaso levou-me até ele, o acaso neste caso, era o calor que se fazia sentir e a vontade zero de subir doze andares novamente. Na escuridão do corredor, mal percebi com quem faria aquela viagem, mas pouco importava, apenas queria chegar ao meu destino. Mas o acaso as vezes é tenebroso e aniquilador. Enfim, não gosto mesmo de elevadores, e hoje, o acaso fez com que ele parasse no terceiro andar. Entre o desespero e a necessidade de manter a calma, percorri as quatro paredes de metal a procura de um rosto que me parecesse familiar e então deparei-me com os caracóis que acabara de ignorar alguns minutos antes. Era ele, o os nossos olhares se cruzaram novamente e confesso que havia qualquer coisa nele, mas não me dava vontade de perceber de que realmente se tratava. Ele era um tanto intenso e curiosamente percebeu o meu medo, armou-se em engraçado e tentei ignorar as p...

Grey Goose

Eu não queria encher meu mural de palavras tristes, não queria que o mundo me visse no meu momento mais escuro, na verdade não queria que ele percebesse que as felicidades que me tinha desejado estavam lentamente a quebrar o meu coração. Por isso, mais uma noite eu troco o meu pijama de listras azuis por uma calça jeans surrada, sapatilhas confortáveis e qualquer coisa que cubra os meus seios - nada de maquilhagem, hoje o único homem que eu quero que me veja, é o barman ; sim, pois é ele quem irá arrancar um pouco dessa nuvem negra que se instala em mim todas as madrugadas. - O de sempre misteriosa? - Claro doutor, 3 shots de água benta só para começar! Nossa relação é tão simples assim, ele entende o meu sofrimento e juntos procuramos um pouco de sossego para o meu coração, e é com Grey Goose  que o fazemos, embora eu saiba o quão fraca sou quando se trata de vodka.  Estou tão magra que ninguém realmente deveria olhar para mim, mas meu estilo é tão peculia...