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Paguei o pato


E enfim casamos, dissemos sim para a sociedade e não para os nossos corações. Fizemos uma festa linda, uma festa de “arromba” como se diz por aí, arrombamos os nossos cofres para que os outros pudessem celebrar o tal amor que não tenho sei mais se existe, mas esquecemos de arrombar as portas da incerteza que às escondidas  continuam a separar-nos da liberdade que acabamos de deixar de fora pela segunda vez.

Os nossos pais julgaram que por termos feito um filho, significava que o nosso amor estava em brasa (coisa que eu também pensei). O que achas que será deles ao descobrir que a única benção que recebi desde que me conheço como gente, foi fruto de uma rapidinha desajeitada no banco de trás do carro da tua melhor amiga?! Não, não digas mais nada, porque tudo que disseres será ao teu favor e eu como sempre fui considerado um autêntico mulherengo jamais terei razão. 

Então é isso, tua família ama-me, aos olhos das tuas amigas eu sou o charlatão e tu como sempre, esmeras-te com a tua figura de mulher incompreendida. Que espírito é esse?!
Sabes, eu até gostava da ideia que tinha criado sobre ti, em minha mente eras a mulher ideal, mas era somente lá, porque tu fizeste-me ver com A+B que o amor vem de lugares estranhos e tesão é só uma armadilha.

Agora que finalmente estamos a sós e o circo todo já terminou, confesso que quero chorar. 
Acreditas que quando o padre perguntou: “Se alguém se opõe a este matrimónio, fale agora ou cale-se para sempre”, eu mesmo quis falar e tive vontade de fugir? Consegues agora imaginar o tamanho do meu terror por estar a ver-me com algemas, ver-te enfiada nesse vestido branco que grita a minha sentença e as nossas famílias ao rubro?

Não adianta chorar, não me tires o momento. Juro-te que não sei por quanto tempo mais conseguirei fingir que isto é uma maravilha. Desculpa pela sinceridade, mas dói-me muito saber que para ti, eu e tu é conveniência, é amor não correspondido, é a ferida que dói e se sente. 
Neste momento gostava imenso de estar a dizer-te coisas bonitas, afinal de contas acabamos de assumir um compromisso e este deveria ser o início da nossa lua de mel, mas tudo que eu consigo sentir agora é pena de ti, pelo facto de teres sido capaz de abrir mão da tua felicidade por um capricho sem benefícios. 

E agora, qual é o passo que se segue? Pergunto isso porque fiz os meus planos a contar contigo, mas não sei se ainda me sinto capaz de te dar o amor que te sentes obrigada a receber. Não sei como foste capaz de contar-me tudo isso depois de ter movido mundos e fundos para de fazer de ti a mulher mais feliz do mundo. Honestamente, espero que a tua consciência permita que tenhas uma noite tranquila e que não te permita arrependimentos. 
O pior de tudo isto é que eu amo-te, mas dessa novela que criaste e eu infelizmente faço parte, dispenso o meu papel de protagonista principal para a tua próxima vítima. 

Eu sempre pensei que este fosse ser o dia mais feliz da minha vida, mas destruíste tudo e fizeste-me  acreditar que é possível ser o plano Z de outro alguém. 


Escrito por: Sheila Faiane

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