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Mensagens

Barco de Papel

Enquanto caminhava em busca de um amor desconhecido, atraquei em vários portos e todos eles me pareceram seguros, mas depois percebi que navegava sempre em mares violentos: laços eram bruscamente quebrados, sentimentos eram perdidos em alto mar e eu me via obrigada a voltar para a minha solidão. Foi assim até eu te encontrar, tal como eu, perdido entre as ondas da incerteza do amanhã e com sede de sentir o balanço de uma nova louca paixão. Largamos nosso conceito de felicidade plena e criamos um novo, juntos navegamos rumo ao prometido felizes para sempre, cada vez mais envolvidos pela ansiedade de encontrar um lugar sossegado e esquecer que um dia ao mar pertencemos. Foram as melhores luas da minha vida, esquecendo todos os encalhentos enquanto buscavamos o melhor aconchego. Mas dizem por ai que tudo que é bom dura pouco e ate nisso escolhemos não acreditar. Nosso "felizes para sempre" foi bom até onde durou, até ao descontentamento,  até aos questionamentos sob...

A Mulher Ideal | Confissões

Parece fácil ser mulher, não é? Acham que já nascemos formatadas, com tudo pré-definido: nascer, crescer, aprender desde pequena que o homem estará sempre acima de nós, que devemos respeitar sem questionamentos constantes, que a mulher é aquela que deve cuidar e manter o lar perfeito, ainda que por baixo das suas roupas carregue cicatrizes profundas. Vivemos e aprendemos que devemos nos instalar por trás deles e como sombras, servir de seu maior alicerce, mas não nos ensinam que o caminho a trilhar não é fácil e que devemos ser fortes até quando não mais nos aguentarmos em pé. Minha mãe me ensinou também que devemos baixar sempre a cabeça, a razão a eles pertence e mesmo quando não a tiverem, devemos aceitar e fingir demência – dentro de casa os meus diplomas não servem para nada, eu sou chefe do portão para fora. Sim, eu cresci nesse tipo de lar e assisti minha mãe ser espezinhada todos os dias, ainda que cumprisse com todos os requisitos de mulher ideal: obediente, dona de ...

A Ex-Exposa | Confissões

Casei-me com um problema, mas ele era o meu problema e eu não queria abrir mão disso por nada. Muitos julgaram-me por estar a ser inconsequente, era tão obvia a falta de respeito que ele tinha por mim, mas eu o amava tanto que quando me perguntavam por quê eu não o deixava, a resposta já vinha mesmo sem pensar:  "O que ele faz lá fora não me interessa, ele é meu quando está comigo, eu o amo". Pior de tudo é que eu mesma comecei a acreditar nisso, tanto que permaneci debaixo do mesmo tecto que o meu suposto homem maravilha por cinco anos. Ele me traia, ele sempre traiu e eu sempre perdoei, éramos felizes do nosso jeito. Enfim, tu melhor do que ninguém conheces a minha história, afinal de contas sempre estiveste ali, mesmo antes do casamento. Acompanhaste tudo: nossos melhores momentos, nossas brigas, nosso casamento, o nascimento da nossa filha, nosso divórcio e todo drama pós-divórcio. Tu estiveste lá, acesa como a chama que achava que existia na minha relação. ...

De Olhos Fechados

Oi, faz tempo que me tens perguntado como me sinto, mas eu não sei se realmente é um querer de coração ou pura curiosidade... vontade de saber qual é a parte do meu coração que está mais machucado para ter o que conversar quando fores te encontrar com as tuas amigas ou para poder me abraçar quando não mais conseguir me menter em pé. Mas tudo bem, hoje eu resolvi te falar e não quero nenhum abraço... quero um minuto de paz. A verdade é que eu vejo todo mundo feliz, menos eu. Não procuro respostas para as minhas inquietações, porque já as tenho. Há dias em que opto por acreditar que é coisa da minha cabeça, talvez nem todos estejam felizes do jeito que eu penso, mas isso também pouco importa, pois ainda assim eles continuam mais felizes do que eu. Me chamam ingrata, isto porque a vida tem me oferecido muitos minutos de alegria e eu só consigo olhar para o lado escuro. Sim, estou de olhos fechados e o que vocês aplaudem ai fora eu não vejo. Nem sei o que tenho feito, estou no modo a...

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Visto o meu melhor fato, vou à luta mais uma vez, hoje quero contar-lhes que juntos podemos ser melhores, que não há motivos para deixar cair o outro como forma de ser reconhecido. Mas, quando abro a boca, noto que eles riem-se de mim, ninguém me ouve, ignoram a minha presença, matam mais a minha esperança e   me fazem insignificante. Mas é só mais um dia, mais uma tentativa frustrada de mudar o mundo. Mais uma derrota, quase desisto da ideia de salvar o pouco que resta da sociedade sã. É queda atrás de queda, e eles dizem que eu sou maluca, que as minhas palavras nunca farão sentido. É por isso que… Quando chego à casa eu estou bem cansada Os olhos estão vermelhos, eu estou bué drogada Não consigo lidar com a embriaguez do mundo Estou farta de gritar para este mundo surdo Eu não entendo como podemos ser tão cegos, deixar que a sociedade nos sufoque e permitir que nos humilhe. Não entendo como podemos ser tão vazios, deixar que eles nos mudem porque somos erra...

I N D E F I N I D O

Perdeu a cor, perdeu o horizonte. Era doce, agora ninguém sabe mais que sabor tem. Era vermelho, agora é indefinido, agora ninguém sabe mais que cor tem.  Eles dizem que ainda há esperança, mas eu só vejo um ponto final e não consigo me permitir enxergar além disso – é um jogo de emoções onde já me sinto perdedora sem sequer ter visto o placar... e foi tudo culpa da minha inconsequência, inconsistência e intransigência, tanto que hoje faço um dueto com a solidão. Fechei as portas para um possível “felizes para sempre” e já não sei como terminar esta história de amor sem poder imaginar como seria se eu tivesse feito tudo certo. Quero de novo bater na tua porta, dizer que sinto a tua falta, mas eu sei que não te posso ter de volta, por isso desejo-te alguém melhor do que eu. Estou tão vazia que até as palavras deixaram-me, é assim quando se chega ao fim? Tipo, perdemos o norte e o sul, as luzes se apagam e o que era tudo vira nada? Perdeu a cor, perdeu o horizonte. Era d...

V A L É R I A

Meu nome é Valeria, tenho 30 anos, hoje afirmo veementemente que sou uma ex-prostituta e não tenho vergonha disso. Minha história não difere muito das outras, entrei nessa vida por opção e não por estar somente a passar por dificuldades. Sempre gostei de vida fácil, sei lá, desde criança que me puseram na cabeça que eu merecia um homem rico e que não precisava trabalhar – por conta da minha beleza e do meu corpo. Tudo começou quando me expus ao sexo pela primeira vez aos 15 anos, quando descobri que poderia ter tudo que quisesse, era só uma questão de dar uns minutinhos de prazer. Já perdi a conta de quantas vezes fui para cama com homens bem mais velhos, eles queriam-me a tempo inteiro e faziam de tudo por mim; tanto que hoje tenho carros, casas e sou feliz. Bem, feliz até ao momento que em que o candeeiro se apaga e fico à sós com a minha consciência, procurando o auxílio da ciência para tentar entender que força é essa que não me deixa entrar na abstinência de matar-me ...